Como funciona o processo

Da análise inicial à administração contínua, a constituição de um trust administrado a partir da Suíça segue um processo estruturado em várias fases distintas.

Fase 1 — Análise preliminar e definição de objetivos

Toda constituição de trust começa com uma fase de análise aprofundada. O trustee, em colaboração com os consultores jurídicos e fiscais do cliente, analisa a situação financeira, familiar e fiscal do futuro settlor para determinar se um trust é a estrutura mais adequada e, em caso afirmativo, qual tipo de trust é mais indicado.

Esta fase inclui tipicamente:

  • Uma reunião confidencial com o futuro settlor para compreender os seus objetivos (proteção patrimonial, planeamento sucessório, governança familiar, filantropia)
  • Análise das jurisdições relevantes para a constituição do trust (escolha da proper law)
  • Avaliação das implicações fiscais nas jurisdições de residência do settlor, dos beneficiários e de localização dos ativos
  • Identificação dos intervenientes: trustee, protector, beneficiários, consultor de investimento
  • Uma estimativa inicial de custos e prazos

Fase 2 — Estruturação e redação

Uma vez definidos os objetivos e confirmada a viabilidade, inicia-se a fase de estruturação. Esta é a etapa mais crítica pois determina a arquitetura jurídica do trust para as décadas seguintes.

O trustee coordena a redação dos documentos constitutivos, que compreendem principalmente:

  • Deed of Trust: O documento fundador que estabelece os termos do trust, os poderes do trustee, as classes de beneficiários, as regras de distribuição e os mecanismos de governança.
  • Carta de Desejos: Um documento confidencial no qual o settlor expressa as suas intenções não vinculativas relativas à gestão e distribuição dos ativos do trust.
  • Memorando de estrutura: Um documento interno que descreve a fundamentação económica e patrimonial do trust, essencial para fins de conformidade e substância.

A redação do deed of trust é tipicamente confiada a um escritório de advogados especializado na jurisdição escolhida (Jersey, Guernsey, etc.), em estreita coordenação com o trustee suíço e os consultores fiscais.

Fase 3 — Diligência devida e conformidade

Antes da constituição formal do trust, o trustee suíço deve realizar uma diligência devida abrangente em conformidade com a Lei sobre o Branqueamento de Capitais (LBA) e os padrões internacionais. Esta fase inclui:

  • Identificação e verificação da identidade do settlor, beneficiários e beneficiário efetivo
  • Verificação da origem dos fundos e da legalidade dos ativos a transferir para o trust
  • Verificação contra listas de sanções (SECO, OFAC, UE, ONU)
  • Avaliação do perfil de risco e classificação do dossiê
  • Documentação do dossiê de conformidade (dossiê KYC/AML)

Fase 4 — Constituição e transferência de ativos

A constituição formal do trust ocorre com a assinatura do deed of trust pelo settlor e a aceitação pelo trustee. O settlor transfere então os ativos para o trust de acordo com um plano de transferência pré-definido.

Em paralelo, o trustee procede à abertura de contas bancárias em nome do trust junto de um banco suíço. Esta etapa leva tipicamente 4 a 8 semanas dado que o banco realiza a sua própria diligência devida. A escolha do banco depende da dimensão do trust, da natureza dos ativos e dos serviços necessários (gestão de patrimónios, custódia, crédito lombard, etc.).

Fase 5 — Administração contínua

Uma vez constituído o trust e transferidos os ativos, inicia-se a administração contínua. O trustee licenciado pela FINMA exerce as suas obrigações fiduciárias de forma permanente:

  • Gestão dos ativos em conformidade com o deed of trust e a carta de desejos
  • Contabilidade do trust e preparação das contas anuais
  • Distribuições aos beneficiários de acordo com os termos do trust
  • Reporte fiscal (CRS, FATCA, declarações locais conforme aplicável)
  • Reuniões periódicas com os beneficiários e o protector
  • Revisão anual da conformidade e do perfil de risco
  • Coordenação com gestores de patrimónios, advogados e consultores fiscais

A administração de um trust é uma responsabilidade de longo prazo. O trustee deve adaptar-se constantemente às mudanças nas circunstâncias dos beneficiários, nas regulamentações aplicáveis e no ambiente económico e fiscal.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora a constituição de um trust na Suíça?
O processo completo leva tipicamente entre 8 e 16 semanas, dependendo da complexidade da estrutura, do número de jurisdições envolvidas e da rapidez no fornecimento de documentos. A fase de estruturação (2-4 semanas) e a abertura de conta bancária (4-8 semanas) são as etapas mais longas.
Um trust existente pode ser transferido para um trustee suíço?
Sim, a mudança de trustee (demissão e nomeação de novo trustee) é um procedimento comum. O trustee cessante transfere os ativos e a documentação para o novo trustee suíço. Este procedimento requer uma diligência devida completa pelo novo trustee e pode levar 3 a 6 meses dependendo da complexidade dos ativos.
O settlor pode participar nas decisões de investimento do trust?
Isso depende do tipo de trust e do deed of trust. Num trust irrevogável discricionário, o settlor não deve em princípio reter controlo sobre os ativos. No entanto, alguns trusts preveem um consultor de investimento ou comité de investimento que pode incluir o settlor ou pessoas da sua escolha, desde que esta estrutura não comprometa a validade do trust.
O que acontece se o trustee falir?
Graças ao reconhecimento dos trusts na Suíça (Convenção de Haia), os ativos do trust são separados do património pessoal do trustee. Em caso de falência do trustee, os ativos do trust não fazem parte da massa falida e são transferidos para um novo trustee. Esta é uma das vantagens fundamentais da estrutura de trust.

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